OS POETAS - Informação Acerca Do Artista

O projecto “OS POETAS” surgiu de encontros entre Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Hermínio Monteiro, então editor da Assírio & Alvim, em cujo espólio existiam gravações de poetas a dizerem os próprios poemas. “Entre Nós e as Palavras”, de 1997, foi o resultado de meses intensos de composição, de uma afinidade com os poetas escolhidos e da amizade cúmplice entre os dois músicos, que se nota muito quando compõem e quando actuam. Com Francisco Ribeiro (ex-Madredeus) e Margarida Araújo nas cordas, o ensemble fez alguns concertos ainda nos anos 90.

“Os Poetas” regressam agora.

Os Poetas” regressam com a reedição do álbum “Entre Nós e As Palavras”, de 1997, há muito esgotado. Durante o ano de 2012, compuseram novas músicas e reformularam o espectáculo, projectando os textos e chamando o actor Miguel Borges para dizer poemas. Viviena Tupikova e Sandra Martins vêm completar o ensemble. A escolha de Miguel Borges para dar voz aos textos prende-se novamente com sentimentos de cumplicidade e de empatia. O novo modelo de actuação ao vivo resultou plenamente no concerto no cinema São Jorge, em 2012, onde foi bem notória a adesão e a proximidade calorosa do público.

Acompanhando os concertos já agendados para 2013, será também disponibilizado um novo álbum com novas músicas d’Os Poetas.

Não é este um concerto para eruditos ou específicos leitores e amantes de poesia. Sendo a palavra importantíssima, e ponto de partida para a composição – ela é o comandante deste “Navio de Espelhos” – a música não é um mero suporte, pois acaba por se fundir com os poemas. À música falada mistura-se a performance, resultando num espectáculo único e encantatório.

Al Berto

“Bom, tudo seria mais fácil se eu tivesse um curso, um motorista a conduzir o meu carro, e usasse gravatas sempre. Às vezes uso, mas é diferente usar gravata no pescoço ou usá-las na cabeça.”

Al Berto nasce em 1948, em Coimbra, mas a sua terra é Sines, onde passa a infância e adolescência. Exila-se em Bruxelas e regressa à Pátria em 1975. Sines continua o seu refúgio, quando quer fugir da inquietação noctívaga de Lisboa. Vida e escrita confundem-se – Al Berto não acreditava naquilo a que chamava “poetas de apartamento”. Interessam-lhe os mistérios da cidade subterrânea e viscosa, lasciva e mal iluminada. De si dizia que era um “tipo excessivo e minimal”.

Morre em Lisboa a 13 de Junho de 1997.

Adília Lopes

“Adília Lopes e Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira são uma e a mesma pessoa. São eu. Como uma papoila é poppy. E muitos outros nomes que eu não sei. A Adília Lopes é água no estado gasoso, a Maria José é a mesma água no estado sólido. Eu sou uma mulher, sou portuguesa, sou lisboeta, sou poetisa, sou linguista (todos somos), sou física, sou bibliotecária, sou documentalista, sou míope, tenho quase 40 anos (nasci a 20 de Abril de 1960), sou solteira, não tenho filhos, sou católica, tenho os olhos castanhos, meço 1,56 m, neste momento peso 80 Kg, uso o cabelo curto desde 1981, o cabelo é castanho escuro com muitos cabelos brancos. Sou etc., etc.”

António Ramos Rosa

“O poeta é um deslocado, um viajante, um vagabundo. Deambulamos no espaço.”

Nasce em 1924, em Faro. A falta de saúde obriga-o a interromper cedo os estudos, tornando-se autodidacta. Foi empregado de escritório e professor, tradutor e ensaísta. A sua vida decorre entre Faro e Lisboa, a escrita e a actividade política de oposicionista do Estado Novo. Em 1962, fixa-se em Lisboa.

A partir da década de 70, dedica-se exclusivamente à poesia. Escreve e desenha diariamente.

Herberto Helder

“Tenho de inventar a minha vida verdadeira.”

Herberto Helder nasce em 1930, no Funchal. Aos 16 anos viaja para Lisboa para estudar. Frequenta a Universidade em Coimbra que abandona e esquece.

Raramente concedendo entrevistas ou frequentando a instituição literária, protegeu sempre a sua vida no mais estrito anonimato.

Mário Cesariny

“E não julgues que eu não tenho saudade desse tempo em que eu andava pelos cafés, pelas ruas. Nunca escrevi um poema em casa. Nunca. Não me perguntes porquê. É como voar.”

Nasce em Lisboa, em 1923. Estuda artes decorativas. No final da adolescência conhece os amigos com quem viria a desenvolver actividades surrealistas. Adversário do regime, foi vigiado insistentemente pela PIDE por ser abertamente homossexual. Além de poeta, foi artista plástico.

Morreu a 26 de Novembro de 2006, em Lisboa.